Rebel Machine ou “quando meu pessimismo me enganou”

Rebel Machine

Começo explicando as aspas do título. Em se tratando de rock neste país, atualmente meu pessimismo só se acentua, dia após dia. Claro, que se me dedicasse mais “às internet” não pensaria assim. Mas porra, eu quero rock pra todo mundo, quero rock na rádio (aliás, quero música na rádio, e não essa invasão de gente que se acha engraçada), quero na televisão, quero até em sala de espera de médico! Cansado dessa paumolescência do rock nacional, dessa fabriqueta de superstars que nada acrescenta. Tem artista de MPB que tem mais pose rocker do que a soma de todos esses que estão ai, não que pose seja suficiente.

Rebel Machine Nothing Happens Overnight Cover ArtMas voltemos à música e a esses caras ai de cima. É a banda Rebel Machine (www.rebelmachine.com.br) que, se eu já não conhecesse os irmãos Marcel e Murilo Bittencourt, baixo e guitarra respectivamente, pra mim era a mais nova “paulada na orelha” como diz o Gastão Moreira. Não saberia nem identificar se de Nova Iorque ou Los Angeles estava vindo isso.  “Nothing Happens Overnight” é o álbum de estreia, com oito faixas que podem ser ouvidas no talo de ponta a ponta, como convém o primeiro mandamento de quem gosta de rock. É o primeiro disco mas poderia ser seu terceiro, quarto, sua volta, seu The Best Of porque simplesmente soa muito, muito maduro. Dá pra sentir que não teve risco na gravação, um “ah, vamos tentar isso ou aquilo e depois a gente vê como fica”. E se teve, ficou de fora. A banda é isso que se está ouvindo e foda-se invençãozinha de produtor que, não por acaso, é a própria banda. Faixas como “Life is Fuckin’ Good” e “Don’t Tell Me I’m Wrong” comprovam isso. É impossível não ter planejado isso tudo antes de entrar em estúdio. Completada por Marcelo Pereira nos vocais, e por Chantós Mariani na bateria, a Rebel pode ainda não estar tocando por aqui como deveria, mas já vem chamando a atenção lá fora. Suécia, Austrália, Escócia, Alemanha são alguns dos países que já colocaram a banda em playlists de rádios e programas e o álbum já pode ser encontrado por lá. E a crítica também já notou, com resenhas publicadas em vários países.

A Rebel Machine tem tudo o que gosto numa banda de rock: o vocalista canta de verdade, as letras são boas, tem guitarras pesadas, riffs e solos incríveis, uma cozinha bem armada e a audácia de soar gringa, não como cópia de algo, mas com um sotaque universal. Estúdio custa caro e o tempo das pessoas também. Então vai lá e faz a coisa certa! A Rebel Machine fez.

 

 

 

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Um príncipe que era rei

Prince

Quando morre um ídolo, nossa alma se encharca de seus feitos como uma forma de lhe dar mais atenção e até, quem sabe, atenuar o sofrimento. Na música, discos e mais discos passam a rodar na sua cabeça num loop eterno. Quando recebi neste 21 de abril a notícia da morte do cantor, guitarrista e gênio Prince, só pude pensar: “Um ano em que morrem David Bowie e Prince é para ser definitivamente esquecido”.

Prince foi encontrado morto em sua residência e as causas da morte ainda não estão esclarecidas. Em turnê com uma proposta intimista, somente ao piano, Prince chegou a passar mal no último dia 15 e ser levado às pressas a um hospital nos EUA.

E é tão difícil receber uma notícia assim de ídolo que sempre nos surpreendia. Aos 57 anos, nascido Prince Rogers Nelson, o multinstrumentista era a marca do “som de Minneapolis”, uma fusão sem limites entre o soul, o pop, guitarras pesadas e funk 70. Tudo isso desembocava naquele  ser andrógino, sexualizado ao extremo, de 1,58 de altura, salto alto e dono de um falsete inimitável.

Não vou fazer um relato biográfico do Prince. Os números da sua carreira são estratosféricos. Uma vez vi ele dizer numa entrevista, quando já passava dos 25 álbuns na carreira, que tinha, pelo menos, 400 músicas que nunca foram lançadas. Verdade ou não, deve dar para contar em uma só mão os artistas que conseguem lançar quatro discos num mesmo ano. Prince fez isso. Ou um álbum triplo. Prince fez também. Fazer filmes onde ele é a estrela, o autor das músicas  e o argumento. Prince fez isso em “Purple Rain”, que lhe rendeu um Oscar, em “Graffiti Bridge” e “Under the Cherry Moon”. Ou manter tantos projetos paralelos e ainda arranjar tempo para dar uma canja num show-tributo a George Harrison (what???). E, ainda no início de carreira, poder dividir o palco com James Brown e Michael Jackson.

Mesmo sendo um hitmaker, Prince se dedicava com afinco aos arranjos mais elaborados, em canções conceituais e em shows milimetricamente planejados, como a tour de “Sign ‘o the Times”, em 1987, e o “Rave UN2 The Year 2000”, que foi transmitido em 31 de dezembro de 1999 nos EUA, e que contou com as participações especiais de Lenny Kravitiz, George Clinton e Nika Costa (sim, aquela mesma). Não há quem não dance ao som de “Kiss”, de “When Doves Cry”, de “My name is Prince” e que não evite uma lágrima em “Nothing Compares to You”, uma das poucas músicas que ele entregou para outra pessoa interpretar, no caso, a careca Sinead O’connor. E por falar em mulher, Prince sempre gostou de tê-las por perto. Nos tempos de Revolution e “Purple Rain”, dividia a cena e o palco com Wendy & Lisa, tecladista e guitarrista; com a belíssima Sheila E. percussionista da mais alta estirpe; com sua queridinha Vanity, da banda Vanity 6 e que, casualmente, morreu também aos 57 anos; com o vozeirão de Rosie Gaines no auge da New Power Generation e que deixou a banda após a tour de “Diamond and Pearls”.

800px-Prince_at_CoachellaMultinstrumentista, a faceta que sempre me impressionou foi a guitarrista. Adepto de instrumentos feitos sob medida, invariavelmente em púrpura e azul, de formas sinuosas, Prince nutria uma paixão por uma velha guitarra H.S. Anderson Mad Cat Telecaster. Ele a usou em “Purple Rain” e fez diversas aparições com o instrumento. Com ela, seu lado funky explodia. Levadas de mão direita e solos absurdamente bem construídos. Era como se Jimi Hendrix fosse da banda de James Brown ou Sly Stone. Mas era somente o baixinho de Minneapolis.

Prince esteve no Brasil uma única vez, para duas apresentações no Rock in Rio de 1991. Não o vi ao vivo. Uma pena. Só posso agradecer por tudo o que ele fez, pelo que ainda vamos conhecer dele. Ele nunca foi apenas um príncipe. Era rei e soberano em tudo.

 

 

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R de Rei, R de Roberto

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Roberto Carlos faz três shows no RS   Foto: Caio Girard

Pode se escabelar, pode chutar portas e cadeiras, pode esmurrar a almofada e o travesseiro. Só não vale chutar o gato e o cachorro. Não adianta, Roberto Carlos é o rei, não importa o que digam. Aquela visita quase anual do rei a Porto Alegre agora ganha mais oportunidades. Sua Majestade vem jogar suas rosas perfumadas e destilar seu romantismo nato em três shows no Rio Grande do Sul. O primeiro acontece no próximo dia 30 de março, em Novo Hamburgo, no Teatro Feevale. Já a Capital recebe o cantor nos dias 31 março e 2 de abril, no Auditório Oi Araújo Vianna.

Os shows marcam seu aniversário de 75 anos, a ser comemorado no próximo dia 19 e, mesmo que alguém diga que é sempre o mesmo, vai a dica: Roberto sempre traz alguma novidade e você sempre vai ouvir algo diferente nas mesmas canções. Acompanhado de orquestra e coral, o cantor vai trazer seus maiores sucessos é claro, não poderia ser diferente, mas também vai mostrar o repertório do recente disco, o álbum “Primeira Fila”, gravado no mítico Abbey Road, em Londres, o mesmo estúdio que os Beatles usaram por anos. No trabalho, Roberto gravou êxitos como “Emoções”, “Cama e Mesa” e “Detalhes”, além de versões em espanhol para “Mulher Pequena” e “Proposta”, tudo com arranjos modernos e que farão parte do novo show. Aproveitou o clima do estúdio e gravou, dos Beatles, “And I Love Her”.

©Caio Girardi

Shows na Capital serão no Araújo Vianna

No ano passado, Roberto Carlos foi homenageado pelo Grammy Latino como personalidade do ano. O Grammy não é novidade para o rei, ele já tem três: um Internacional, de Melhor Cantor, em 1989; um Latino, em 2005, como Melhor Álbum de Música Romântica, pelo “Pra Sempre Ao Vivo”; e mais um Latino, em 2006 pelo Melhor Álbum de Música Romântica pelo seu disco de 2005. E em 2013, levou o cobiçado Grammy Latino de Melhor Canção Brasileira por “Esse Cara sou Eu”. A música, que foi trilha sonora da novela “Salve Jorge”,  garantiu uma extensa turnê internacional no ano seguinte, homenagem pelos 12 milhões de discos vendidos no México, em toda a sua carreira e pelo primeiro lugar em 15 países com o EP “Esse tipo soy yo” pela Sony/ Itunes; além de ter gravado um DVD em Las Vegas, que será lançado no natal deste ano. Ele percorreu ao todo quatro países: Equador, México, Estados Unidos e Canadá. NOs EUA, Roberto se apresentou  no portentoso hotel MGM Grand Las Vegas, palco de grandes lutas de boxe e que já recebeu shows de nomes como Elton John, U2, Rolling Stones e Lady Gaga.

 

O que mais se pode falar de uma das personalidades mais cultuadas e comentadas de toda a música brasileira? Roberto está aí há mais de 50 anos fazendo o que realmente sabe fazer: tocar corações com suas melodias irretocáveis, versos que só poderiam sair dessa longa parceria com Erasmo e ainda, de uns anos para cá, inserindo um ladinho pop em suas apresentações, dividindo seu tradicional especial de final de ano com os cantores do momento.

Há quem critique algumas de suas posturas, inclusive musicais, que considere-o ultrapassado e que até poderia envelhecer de forma mais digna do que se submeter a um especial de final de ano na Globo. A verdade é que Roberto não precisa provar mais nada para ninguém. Acho que nunca precisou. Afinal,o rei é ele, e que continue assim.

SERVIÇO

CANAIS DE VENDAS OFICIAIS (sujeito à taxa de conveniência):

Site: www.ingressorapido.com.br

Call Center: 4003-1212 (de segunda a sábado, das 9h às 21h, e domingos, das 12h às 18h)

Agência Brocker Turismo: Av. das Hortênsias, 1845 – Gramado (de segunda a sábado, das 9h às 18h30min, e feriados das 10h às 15h)

 

CANAIS DE VENDAS OFICIAIS (sem taxa de conveniência):

Rua Coberta, Câmpus II, Universidade Feevale: em Novo Hamburgo

(de segunda a sexta, das 13h às 21h, e sábado, das 9h às 14h). Mais informações pelo telefone 3271-1208

Bourbon Shopping Novo Hamburgo: Av. Nações Unidas, 2001 – 2º Piso / Centro de Novo Hamburgo (de segunda a sábado, das 13h às 21h).

Bilheteria do Teatro do Bourbon Country: Av. Túlio de Rose, nº 80 / 2º andar (de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo e feriado, das 14h às 20h)

No local: somente na data da apresentação, duas horas antes do espetáculo ter início.

 Formas de pagamento: dinheiro, cartões de débito e crédito (em até 2 parcelas) e vale-cultura.

 

 

 

 

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Cachorro Grande: com a maior responsabilidade do mundo

Cachorro Grande by Rui Mendes

Cachorro Grande abre para os Stones em Porto Alegre   Foto: Rui Mendes

Já não é mais novidade, mas quando vi o nome da banda Cachorro Grande como a escolhida para abrir o show dos Rolling Stones em Porto Alegre, em 2 de março, a primeira coisa que me veio à cabeça foi justamente a explicação do nome da banda. Ela nasceu justamente de uma discussão de quem seria mais importante: Stones ou Beatles? A  discussão, como me contou o Gabriel Azambuja, batera da Cachorro, se dava entre o guitarrista Marcelo Gross e o vocal Beto Bruno, provavelmente regada a cerveja gelada. Até que um deles, já não lembro quem, saiu com sentença de que isso era “briga de cachorro grande”. Bingo! E eles estão aí desde então.

Fico pensando também na cara desses guris que respiram o rock sessentista (do qual os Stones ainda muito bem representam). Do nervosismo e da certeza de que estão diante de um compromisso gigante, tão grande quanto histórico será esse dia. Quando Paul McCartney tocou no mesmo Beira-Rio onde Mick Jagger & Cia tocarão, eu estava ao lado do baixista Rodolfo Krieger e do batera Gabriel Azambuja. Rodolfo só chorava. Não era pra menos, um dos “cachorro grande” estava ali. Imagino agora, com a banda toda abrindo para o outro cachorro, os Rolling Stones! Nas redes sociais da banda, praticamente todo dia tem um post sobre a abertura. Os caras estarão até de figurino ultra-exclusivo para o dia.

O Faixa Bônus só esperou passar a euforia carnavalesca pra conversar com a alguns dos integrantes da banda. Confere ai a conversa que rolou como baixista Rodolfo Krieger.

Faixa BônusHoje vocês estão prestes a abrir para um desses “cachorro grande”. Os Stones é um  banda que está entre as referências, assim como o The Who, Beatles, Kinks e outras mais novas, como o Oasis (que vocês já fizeram a abertura). O que está pesando mais nessa hora, a responsabilidade ou o nervosismo?

Rodolfo: As duas coisas e mais um pouco, eu estou realmente ansioso. Todos os dias, às 4 da tarde, dá vontade de abrir uma cerveja quando eu me lembro do que vai acontecer. Até tenho brincado que eu queria que o show fosse hoje, assim essa espera acabaria logo. E a responsabilidade é a maior do mundo, primeiro por respeito aos nossos fãs, que conhecem a banda desde o começo.  Nós temos a obrigação de fazer um belíssimo concerto para aquecer os nossos conterrâneos para o maior espetáculo da terra.

FB: A banda já tem ideia do que vai tocar nessa abertura? Os ensaios já começaram?

Rodolfo: Nós temos 45 minutos de show, vamos fazer um apanhado de todos os nossos hits para fazer a galera cantar os nossos clássicos, que fazem a trilha sonora do Rio Grande do Sul há 15 anos. Afinal, depois da gente entram os Stones, melhor a gente caprichar, né?! Então, músicas como “Lunático”, “Hey Amigo” e “Que Loucura” com certeza estarão no repertório.

FB: Como fãs de Rolling Stones, o que vocês estão esperando dessa apresentação em Porto Alegre?

Rodolfo: Vai ser o último show deles no Brasil, tenho certeza que o Mick Jagger e sua trupe vão colocar pra fuder. Eu tive a oportunidade de lhes assistir em Buenos Aires em 2006 e foi a coisa mais incrível que eu já presenciei, acredito que eles vão caprichar como tem feito nesses últimos 54 anos. Porto Alegre merece esse show, aqui de São Paulo eu fico acompanhando o que anda acontecendo com a cultura do nosso estado e fico muito triste com o que eu leio. Rádios de rock fechando, museus sem segurança, muito assalto, enfim, sinto uma certa tristeza por tudo isso e acho que os Stones vão dar uma animada no pessoal que está precisando de um pouco de diversão. E fazer parte do maior evento que já aconteceu na historia do Rio Grande do Sul é uma honra para a Cachorro Grande.

FB: Já está rolando preparativos pra um disco novo? Edu K está novamente neste projeto não é, assim como foi no anterior, “Costa do Marfim”. O que pode ser adiantado desse trabalho?

Rodolfo: O “Costa do Marfim” tem um tom mais psicodélico, já nesse trabalho novo a gente continua bebendo na fonte da música eletrônica, mas um pouco mais minimalista e agressivo. O disco está mais pesado, com menos elementos, mas com a pegada da Cachorro que todo mundo conhece. A nossa ideia é terminar de gravar, mixar, prensar e lançar em breve.

FB: Se rolar um encontro com os Stones (e torço muito pra isso), o que vocês vão falar primeiro “pras véias”?

Rodolfo: Eu vou perguntar se eles não estão precisando de um baixista novo!!!!!

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McLaughlin: um guitarrista único

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McLaughlin faz única apresentação em Porto Alegre em 30 de março   Foto: Stuart Mckay

Nenhuma lista dos grandes guitarristas de todos os tempos estaria completa se o nome de John McLaughlin não estiver nela. Aliás, jamais vi uma lista sem o nome dele. O britânico, dono de uma técnica refinadíssima e que já tocou ao lado de grandes nomes da música, fará única e imperdível apresentação em Porto Alegre. O show acontece no próximo dia 30 de março, a partir das 21h, no Teatro de Bourbon Country. Os ingressos já podem ser adquiridos antecipadamente na bilheteria do teatro, pelo site www.ingressorapido.com.br e também pelo telefone 4003-1212.

Com uma fusão entre o jazz e o rock, com passagem livre entre os dois gêneros e provocando o diálogo musical praticamente sem limites, McLaughlin, hoje com 74 anos, desembarca na América do Sul (fará shows na Argentina, Uruguai e Chile também), com sua banda multiétnica The 4th Dimension, formada pelo indiano Ranjit Barot (bateria), pelo camaronês Étienne M’Bappé (baixo) e pelo inglês Gary Husband  (teclados). No ano passado, McLaughlin lançou o álbum “Black Light” com o novo grupo e que será a base do shows.

McLaughlin tem uma das carreiras mais importantes dentro do universo da guitarra. Com o grande Miles Davis gravou os discos “In a Silent Way” e o antológico “Bitches Brew”, em 1970 e naquela mesma década formou a Mahavishnu Orchestra, grupo por onde passaram nada mais nada menos que Billy Cobham, Jean-Luc Ponty e Jerry Goodman. Para os não iniciados, o nome de McLaughlin ficou mais conhecido a partir de 1981 quando gravou, ao lado de Paco de Lucía e Al Di Meola, o emblemático “Friday Night in San Francisco”, com os três ao violão exibindo um virtuosismo até hoje lembrado como influência. O trio voltou a gravar junto em 1996, lançando “The Guitar Trio” que, tinha entre as faixas, o clássico “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antônio Maria. McLaughlin também tocou ao lado de Dave Holland, Chick Corea, Stanley Clarke e Tony Williams.

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O legado Bowie

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Acordar com a notícia da morte de um ídolo está no check list de como estragar o seu dia. Mas a vida aqui na Terra continua e, apesar da tristeza, só consigo pensar no que David Bowie fez em vida. No efeito por vezes catártico que algumas de suas canções ainda provocam. Na sua imagem, ou nas suas imagens cada vez mais icônicas.

Bowie2Esse londrino de um olho de cada cor, um cara que foi muitos em um só, ou justamente o contrário, um camaleão como ficou conhecido, David Bowie foi, é e será único. Está no panteão dos artistas que moldaram uma geração, ou várias delas. Penso no Bowie de terno azul turquesa de “Life on Mars”; no ser imobilizado, com um grito preso na garganta de “Heroes”; no obscurantismo da sua fase Berlim; em Ziggy Stardust; na sua interpretação de “O Homem Elefante” nos palcos da Broadway e Londres; na sua androginia da capa de “The Man Who Sold the World”; no homem que caiu na Terra; no soulman de “Golden Years”; no vampiro de “Fome de Viver”; no mago quase sádico de “Labirinto”; no soldado prisioneiro num calor escaldante de “Furyo, em Nome da Honra”; em Major Tom da trilogia musical de “Space Oddity”, “Ashes to Ashes” e “Starman”; no platinado de “Let’s Dance” e “Modern Love”; na sua indefectível elegância; no olhar sério de “Valentine Day’s”; e agora em “Lazarus”.

Bowie3Ouvindo “Blackstar”, seu último disco, o 25º, uma das primeiras coisas que senti foi um sentido de unidade, não apenas no disco em si, mas no planeta. Fiquei imaginando quantos milhares de pessoas estariam ouvindo esse mesmo disco ao mesmo tempo. Era o mesmo comentário que meu amigo Marcelo Gross, guitarrista da Cachorro Grande fazia hoje, após todos sabermos da sua morte. Ontem, domingo, assisti, por acaso, um filme chamado “Sou Eu”, do Tom Shadyac. Uma busca para tentar explicar o que está acontecendo no mundo. Isso em 2010. Um passagem do filme me fez ver que sentimento era aquele da audição do disco do Bowie. Era de que, não importa o que façamos, de que somos ou queremos ser: estamos todos conectados, tudo é uma coisa só. Aquela audição simultânea em 8 de janeiro fez isso: nos conectou ao Bowie e ele a nós. E o que há de tão especial nesse disco? Absolutamente nada que não seja Bowie sendo ele mesmo, cometendo um álbum vigoroso, denso, bem produzido e que, infelizmente, será lembrado como seu último trabalho em vida. Bowie ainda era um dos poucos artistas que realmente tinham algo a dizer, que dispensava fórmulas fáceis em sua música. Quis o destino que talvez sua ultima imagem seja de alguém que volta da morte, que a vence. Aqui, neste plano, um câncer o levou. No da arte, Bowie venceu todas as batalhas.

No dia do seu aniversário, 8 de janeiro, vesti umas das muitas camisetas com seu rosto que tenho. Neste 11 de janeiro, visto novamente em sua memória. Jamais haverá outro David Robert Jones, jamais haverá outro David Bowie.

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Dois dias de jazz em Canoas

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Ladysmith Black Mambazo: diretamente da África    Foto: Shane Doyle

Depois de um lançamento à altura de sua qualidade, com direito a um grande show da cantora Flora Almeida, o Canoas Jazz 2015 ganha as suas dois noites de muita música. O festival, em sua quinta edição, acontece neste sábado e domingo, sempre a partir das 19h, no Parque Getúlio Vargas, o Capão do Corvo, e com entrada franca.

Neste sábado, a abertura acontece com o trabalho do cantor, compositor, violonista e pianista Pedro Longes, morador de Canoas e que está lançando o seu primeiro disco, “Conexión”. O trabalho de Pedro faz uma ponte entre ritmos latinos e a música brasileira moderna. Na sequencia, quem sobe ao palco é os argentinos do Escalandrum, sexteto que irá mostrar o show “Piazzolla plays Piazzolla”. O disco é fruto do aprofundamento do grupo na obra de Astor Piazzolla e na sua formação, traz o neto de Astor, Daniel “Pipi” Piazzolla, como baterista. Na sequencia, mais um destaque portenho, o grupo La Chicana, com a bela Dolores Solá nos vocais. O La Chicana vem lançar mundialmente o álbum “La Pampa Grande” disco que tem participações de nomes da música gaúcha como Bebeto Alves, Luiz Carlos Borges, Giovanni Berti, Hique Gomez, Antonio Villeroy e Arthur de Faria. Alguns deles estarão dividindo o palco com o grupo.

No domingo (22), os melhores standards do gênero, tocados com alta qualidade, estarão no repertório da Jazz 6, o grupo que tem o escritor Luis Fernando Verissimo no saxofone. Fechando a programação, diretamente da África do Sul, vem o Ladysmith Black Mambazo, grupo vocal que ganhou notoriedade após sua participação no antológico álbum “Graceland”, de Paul Simon e que vem acumulando participações em diversos trabalhos ao redor do mundo.

 

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Um seminário para entender o fazer musical

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Pensar sobre música ajuda, em muito, a entender um processo que não cabe apenas dentro da criatividade de quem produz música. São várias as pontes que se faz entre o primeiro verso ou melodia e aquele show inesquecível. O que acontece no meio desse caminho será a base do seminário Talk Music que acontece a partir do dia 18 num dos espaços mais legais de Porto Alegre, o Mondo Cane Empório Bar (Rua João Alfredo, 325).

Serão cinco encontros, sempre a partir das 19h. Neste primeiro, o tema será “Música & Imprensa”, com as presenças desse que vos escreve, do amigo e sempre antenado Gustavo Brigatti, jornalista da Zero Hora; do vocalista e guitarrista Sérgio Caldas, da banda Motor City Madness. Tudo mediado pelo organizador do evento, o incansável Marcel Bittencourt, criador do site Poa Show, músico e produtor. Direito autoral, produção de festivais, produção executiva e produção musical serão os outros temas do seminário tem apoio do Fumproarte, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

Confere ai e te agenda, tudo com entrada francas e honesta, como diz o Marcel

Direito Autoral (26/11 – Quinta-feira):
Patricia Mello – Advogada especialista em Direito Autoral
Thiago Piccoli – Produtor executivo (Ian Ramil e Bidê ou Balde)

Produção de Festivais (02/12 – Quarta-feira):
Ray Z – Produtor Musical e Diretor Artístico do Domingo no Parque
Nayane Bragança – Produtora dos festivais Movimento Gizarte / Stoner Fest
Felipe Grahl – Produtor do festival Toque na Praça
Thiago Gonçalves – Sócio da Parapluie Produtora
Marcel Bittencourt – Editor do site Poa Show

Produção Executiva (09/12 – Quarta-feira):
Ilton Carangacci – TW Carangacci (Chimarruts, Papas da Lingua)
Leandro “Lelê” Bortolacci – Olelê Music (Cachorro Grande, Comunidade Nin-Jitsu)
Eduardo da Camino – Produtor (Véspera, Psicopatos)
Marcel Bittencourt – Editor do site Poa Show

Produção Musical (16/12 – Quarta-feira):
Ray Z – Produtor Musical (Nenhum de Nós, Phantom Powers, Calibre)
Mateus Borges – Produtor Musical (Veraloca, Draco, Izmalia – Um dos 15 participantes do Mix With the Masters com Chris Lord-Alge em 2013)
Marcelo Fruet – Produtor Musical (Marcelo Fruet e os Cozinheiros, Naddo entre os Gigantes, Renascentes)
Marcel Bittencourt – Editor do site Poa Show

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Para lembrar e celebrar Túlio Piva

Túlio Piva - foto Reprodução

Túlio Piva escreveu seu nome na história do samba

O centenário do nascimento compositor Túlio Piva (1915-1993), que será lembrado no próximo dia 4 de dezembro, é o mote da próxima edição do Sons da Cidade, projeto que, desde 2006, vem mostrando a qualidade da música feita na Capital. Em edição especial, o projeto terá o espetáculo “Túlio Piva – 100 Anos de Samba”, com participação dos netos músicos de Túlio, Rodrigo e Rogério Piva, e de convidados especiais, lembrando as músicas do autor de clássicos como “Tem que Ter Mulata”, “Gente da Noite” e “Pandeiro de Prata”. O show acontece nesta terça-feira, a partir das 20h, no Teatro Renascença (Avenida Erico Verissimo, 307), com entrada franca. As senhas poderão ser retiradas, na bilheteria do teatro, uma hora antes da apresentação.
Entre os convidados da noite, estarão a principal intérprete de Túlio, Eneida Martins, com a qual ele gravou três dos seus quatro únicos LPs. Também subirão ao palco os cantores Anamaria Bolzoni e Guilherme Braga; os cantores e compositores Nelson Coelho de Castro e Marcelo Delacroix; e a jovem cantora Bibiana Petek – que realizou este ano uma releitura da obra do homenageado e que está indicada ao Açorianos de Música 2015 na categoria de Revelação. Além de Rodrigo (voz e violão) e Rogério Piva (violão), a banda será formada por Pedro Figueiredo (sax e flauta), Henry Lentino (cavaquinho e bandolim) e pelos percussionistas Giovanni Berti e Bruno Coelho.
Na ocasião, será feito o relançamento do CD-livro Túlio Piva – Pra Ser Samba Brasileiro, que consiste em um estojo contendo um CD duplo com os fonogramas remasterizados dos quatro LPs de Túlio e em um livro com a sua obra literária inédita.
O sambista também será homenageado na cerimônia de entrega do Prêmio Açorianos de Música, marcada para 1º de dezembro, no Auditório Araújo Vianna. A festa, com entrada franca, terá números musicais em que canções de Túlio serão relidas em diferentes estilos musicais.
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Um festival de muitas linguagens sonoras

O gaúcho Vitor Ramil é um dos nomes da programação

O gaúcho Vitor Ramil é um dos nomes da programação   Foto: Satolep Press

O Festival El Mapa de Todos está chegando a sua sexta edição nos próximos dias 12, 13 e 14 de novembro em três nobres espaços da Capital: o Theatro São Pedro, o Salão de Atos da Ufrgs e o Centro Histórico-Cultural da Santa Casa. A diversidade sonora será mais uma vez a marca do festival que receberá trabalhos que passam pelo ska moderno, o indefectível teclado da Jovem Guarda, as milongas argentinas e gaúcha, psicodelia, a MPB autoral, tambores e a música pampeana. “Neste ano, vamos afirmar a nova cena contemporânea do Mercosul, comemorar os 50 anos da Jovem Guarda e apontar novos caminhos para a música produzida no continente”, informa o curador do festival, o jornalista e produtor Fernando Rosa.

Nesta edição,

bandas brasileiras vão dividir os palcos com nomes do Peru, Uruguai, Argentina e Colômbia. “A curadoria do festival busca compor artistas ascendentes na cena independente, nomes alternativos com carreiras consolidadas e clássicos fundamentais para a construção da musicalidade da região”, diz Fernando Rosa.  Para o lendário músico uruguaio Daniel Viglietti, autor da música que inspirou o nome do festival – Milonga de Andar Lejos -, que participou da 5ª edição do evento, em 2014, “os festivais, entre eles o El Mapa de Todos, cumprem a função de apagar do ouvido do público essa música de plástico que soa em todos os supermercados do mundo, e que parece sempre a mesma, em Porto Alegre, em Montevidéu, em Paris ou em Toronto”.

Confere aí a programação

12/11 – quinta-feira

Theatro São Pedro

21:00 – Vieja Skina (Peru)

22:15 – Lafayette & Os Tremendões (Brasil/RJ)

13/11 – sexta-feira (ingressos esgotados)

Salão da Atos da UFRGS

21:00 – Milongas Extremas (Uruguai)

22:15 – Vitor Ramil (Brasil)

23:15 – Onda Vaga (Argentina)

14/11 – sábado

Centro Histórico-Cultural Santa Casa – entrada franca (por ordem de chegada)

16:00 – Irmãos Carrilho (Brasil/PR)

17:00 – Ana Muniz (Brasil/RS)

18:00 – François Peglau (Peru)

19:00 – Alabê Ôni (Brasil/RS)

20:00 – Los Pirañas (Colômbia)

21:00 – Aluisio Rockembach (Brasil/RS)

INGRESSOS:

Salão de Atos da Ufrgs

INGRESSOS ESGOTADOS

Theatro São Pedro

Plateia: R$ 40,00 / R$ 20,00 (meia-entrada)

Camarote Lateral e Central: R$ 30,00 / R$ 15,00 (meia-entrada)

Galeria: R$ 20,00 / R$ 10,00 (meia-entrada)

Pontos de venda – Bilheteria do Teatro São Pedro (das 13:00 às 18:30 – telefone: 51 3227-5100)

Vendas online: compreingressos.com

Centro Histórico-Cultural Santa Casa

Entrada franca

 

Sobre os artistas convidados:

Vieja Skina – Peruanos, trazem para o festival o clássico ska latino-caribenho. Jovens, já se apresentaram em vários países do mundo. Tocam no Brasil pela primeira vez.
Lafayette & Os Tremendões – Sob batuta do genial mestre dos teclados, Lafayette & Os Tremendões mostram seu novo disco de inéditas e celebram os 50 anos da Jovem Guarda.
Milongas Extremas – O quarteto de Montevidéu, armado de violões e vozes, turbina a milonga com atitude punk em versões explosivas que fizeram deles destaque além-fronteiras.

Vitor Ramil – Um dos músicos mais importantes da música gaúcha moderna e expressão da mais profunda integração da cultura regional, em especial do Pampa, que inclui o Rio Grande do Sul, Argentina e o Uruguai.
Onda Vaga – Natural de Buenos Aires, Onda Vaga já lotou estádios na Argentina, percorreu a América Latina e a Europa e chega no El Mapa de Todos para celebrar a nova música da região.

Os Irmãos Carrilho – A dupla de curitibanos, com violão e afinadíssimas vozes, traz para o palco do El Mapa de Todos a atualização da música regional, com pinta de modernos Everly Brothers.

Ana Muniz – Revelação da nova música gaúcha, Ana Muniz representa a força da canção autoral, da interpretação visceral e emocionante capaz de catalisar todos os públicos do evento.

François Peglau – Um dos grandes músicos do Peru à frente do grupo Los Fuckin’ Sombreros, François Peglau vem ao Brasil mostrar seu mix elegante de música latina, mod e psicodelia.

Alabê Ôni – trio gaúcho formado por Richard Serraria, Pingo Borel e Mimmo Ferreira. “Nobres tamboreiros” na lingua iorubá, resgatam a história da música negra do Rio Grande do Sul, e prestam homenagem à resistente ancestralidade da região.
Los Pirañas – Trio formado por importantes músicos com participação de outros grupos como Onda Trópica, Frente Kumbiero e Meridian Brothers, Los Pirañas traz para o El Mapa de Todos a vanguarda da música colombiana.
Aluisio Rockembach – Acordeonista da banda de Luiz Marenco, é um dos instrumentistas mais criativos e inventivos da nova música tradicional gaúcha, na ponta da linha sucessória dos grandes mestres do instrumento.

 

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