Cachorro Grande: com a maior responsabilidade do mundo

Cachorro Grande by Rui Mendes

Cachorro Grande abre para os Stones em Porto Alegre   Foto: Rui Mendes

Já não é mais novidade, mas quando vi o nome da banda Cachorro Grande como a escolhida para abrir o show dos Rolling Stones em Porto Alegre, em 2 de março, a primeira coisa que me veio à cabeça foi justamente a explicação do nome da banda. Ela nasceu justamente de uma discussão de quem seria mais importante: Stones ou Beatles? A  discussão, como me contou o Gabriel Azambuja, batera da Cachorro, se dava entre o guitarrista Marcelo Gross e o vocal Beto Bruno, provavelmente regada a cerveja gelada. Até que um deles, já não lembro quem, saiu com sentença de que isso era “briga de cachorro grande”. Bingo! E eles estão aí desde então.

Fico pensando também na cara desses guris que respiram o rock sessentista (do qual os Stones ainda muito bem representam). Do nervosismo e da certeza de que estão diante de um compromisso gigante, tão grande quanto histórico será esse dia. Quando Paul McCartney tocou no mesmo Beira-Rio onde Mick Jagger & Cia tocarão, eu estava ao lado do baixista Rodolfo Krieger e do batera Gabriel Azambuja. Rodolfo só chorava. Não era pra menos, um dos “cachorro grande” estava ali. Imagino agora, com a banda toda abrindo para o outro cachorro, os Rolling Stones! Nas redes sociais da banda, praticamente todo dia tem um post sobre a abertura. Os caras estarão até de figurino ultra-exclusivo para o dia.

O Faixa Bônus só esperou passar a euforia carnavalesca pra conversar com a alguns dos integrantes da banda. Confere ai a conversa que rolou como baixista Rodolfo Krieger.

Faixa BônusHoje vocês estão prestes a abrir para um desses “cachorro grande”. Os Stones é um  banda que está entre as referências, assim como o The Who, Beatles, Kinks e outras mais novas, como o Oasis (que vocês já fizeram a abertura). O que está pesando mais nessa hora, a responsabilidade ou o nervosismo?

Rodolfo: As duas coisas e mais um pouco, eu estou realmente ansioso. Todos os dias, às 4 da tarde, dá vontade de abrir uma cerveja quando eu me lembro do que vai acontecer. Até tenho brincado que eu queria que o show fosse hoje, assim essa espera acabaria logo. E a responsabilidade é a maior do mundo, primeiro por respeito aos nossos fãs, que conhecem a banda desde o começo.  Nós temos a obrigação de fazer um belíssimo concerto para aquecer os nossos conterrâneos para o maior espetáculo da terra.

FB: A banda já tem ideia do que vai tocar nessa abertura? Os ensaios já começaram?

Rodolfo: Nós temos 45 minutos de show, vamos fazer um apanhado de todos os nossos hits para fazer a galera cantar os nossos clássicos, que fazem a trilha sonora do Rio Grande do Sul há 15 anos. Afinal, depois da gente entram os Stones, melhor a gente caprichar, né?! Então, músicas como “Lunático”, “Hey Amigo” e “Que Loucura” com certeza estarão no repertório.

FB: Como fãs de Rolling Stones, o que vocês estão esperando dessa apresentação em Porto Alegre?

Rodolfo: Vai ser o último show deles no Brasil, tenho certeza que o Mick Jagger e sua trupe vão colocar pra fuder. Eu tive a oportunidade de lhes assistir em Buenos Aires em 2006 e foi a coisa mais incrível que eu já presenciei, acredito que eles vão caprichar como tem feito nesses últimos 54 anos. Porto Alegre merece esse show, aqui de São Paulo eu fico acompanhando o que anda acontecendo com a cultura do nosso estado e fico muito triste com o que eu leio. Rádios de rock fechando, museus sem segurança, muito assalto, enfim, sinto uma certa tristeza por tudo isso e acho que os Stones vão dar uma animada no pessoal que está precisando de um pouco de diversão. E fazer parte do maior evento que já aconteceu na historia do Rio Grande do Sul é uma honra para a Cachorro Grande.

FB: Já está rolando preparativos pra um disco novo? Edu K está novamente neste projeto não é, assim como foi no anterior, “Costa do Marfim”. O que pode ser adiantado desse trabalho?

Rodolfo: O “Costa do Marfim” tem um tom mais psicodélico, já nesse trabalho novo a gente continua bebendo na fonte da música eletrônica, mas um pouco mais minimalista e agressivo. O disco está mais pesado, com menos elementos, mas com a pegada da Cachorro que todo mundo conhece. A nossa ideia é terminar de gravar, mixar, prensar e lançar em breve.

FB: Se rolar um encontro com os Stones (e torço muito pra isso), o que vocês vão falar primeiro “pras véias”?

Rodolfo: Eu vou perguntar se eles não estão precisando de um baixista novo!!!!!

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Sobre Daniel Soares

Jornalista e músico diletante. Fã de motocicletas e guitarras
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2 respostas para Cachorro Grande: com a maior responsabilidade do mundo

  1. Ronald disse:

    Grande Rodolfo, nao da nem pra acreditar cara que la no comecinho dos anos 90 eu ouvia os teus primeiros acordes em seu quarto…te apresentei um disco dos Stones…e agora tu estas a poucos dias de ficar lado-a-lado com eles…Com essa puta responsabilidade de abrir o concerto dos caras…..Aguenta cara…o RS inteiro estara la torcendo por vcs!!! E Eu estarei la na frente torcendo por vcs !!!!! Aqele abraço !!!

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