Rebel Machine ou “quando meu pessimismo me enganou”

Rebel Machine

Começo explicando as aspas do título. Em se tratando de rock neste país, atualmente meu pessimismo só se acentua, dia após dia. Claro, que se me dedicasse mais “às internet” não pensaria assim. Mas porra, eu quero rock pra todo mundo, quero rock na rádio (aliás, quero música na rádio, e não essa invasão de gente que se acha engraçada), quero na televisão, quero até em sala de espera de médico! Cansado dessa paumolescência do rock nacional, dessa fabriqueta de superstars que nada acrescenta. Tem artista de MPB que tem mais pose rocker do que a soma de todos esses que estão ai, não que pose seja suficiente.

Rebel Machine Nothing Happens Overnight Cover ArtMas voltemos à música e a esses caras ai de cima. É a banda Rebel Machine (www.rebelmachine.com.br) que, se eu já não conhecesse os irmãos Marcel e Murilo Bittencourt, baixo e guitarra respectivamente, pra mim era a mais nova “paulada na orelha” como diz o Gastão Moreira. Não saberia nem identificar se de Nova Iorque ou Los Angeles estava vindo isso.  “Nothing Happens Overnight” é o álbum de estreia, com oito faixas que podem ser ouvidas no talo de ponta a ponta, como convém o primeiro mandamento de quem gosta de rock. É o primeiro disco mas poderia ser seu terceiro, quarto, sua volta, seu The Best Of porque simplesmente soa muito, muito maduro. Dá pra sentir que não teve risco na gravação, um “ah, vamos tentar isso ou aquilo e depois a gente vê como fica”. E se teve, ficou de fora. A banda é isso que se está ouvindo e foda-se invençãozinha de produtor que, não por acaso, é a própria banda. Faixas como “Life is Fuckin’ Good” e “Don’t Tell Me I’m Wrong” comprovam isso. É impossível não ter planejado isso tudo antes de entrar em estúdio. Completada por Marcelo Pereira nos vocais, e por Chantós Mariani na bateria, a Rebel pode ainda não estar tocando por aqui como deveria, mas já vem chamando a atenção lá fora. Suécia, Austrália, Escócia, Alemanha são alguns dos países que já colocaram a banda em playlists de rádios e programas e o álbum já pode ser encontrado por lá. E a crítica também já notou, com resenhas publicadas em vários países.

A Rebel Machine tem tudo o que gosto numa banda de rock: o vocalista canta de verdade, as letras são boas, tem guitarras pesadas, riffs e solos incríveis, uma cozinha bem armada e a audácia de soar gringa, não como cópia de algo, mas com um sotaque universal. Estúdio custa caro e o tempo das pessoas também. Então vai lá e faz a coisa certa! A Rebel Machine fez.

 

 

 

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Sobre Daniel Soares

Jornalista e músico diletante. Fã de motocicletas e guitarras
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